Principais Zoonoses - Toxoplasmose




A toxoplasmose é uma zoonose parasitária causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, responsável por causar lesões clínicas polissistêmicas.


A doença é conhecida como doença do gato porque o gato é o hospedeiro definitivo do Toxoplasma. O hospedeiro definitivo é aquele que abriga o parasita até a fase adulta, ou seja, quando ele é capaz de se reproduzir e eliminar no ambiente oocistos (‘filhinhos do parasita”). 
Qualquer animal pode ser hospedeiro intermediário (mamíferos e aves) do parasita, porque em algum momento da vida entrou em contato com o agente e  se infectou.  Mas, por não ser um gato, o parasita fica vivo dentro dele (na musculatura principalmente), mas não se reproduz.
Esses hospedeiros podem ser fontes de infecção para os seres humanos.







Os gatos se tornam infectados após a ingestão de animais caçados, ou quando comem carne crua contendo os trofozoítas. 



Após a infecção, os gatos excretam oocistos (ovos) em suas fezes durante 1 ou 2 semanas.Os oocistos para se tornarem infectantes têm que passar por uma transformação no meio ambiente que pode acontecer em até cinco dias.
Logo, com a higiene diária da vasilha sanitária do gato, não há tempo hábil para que o parasita torne-se infectante. Este processo acontece apenas uma vez durante a vida do gato, sendo este o único momento que será o transmissor da toxoplasmose.


A infecção humana ocorre com a ingestão de carne mal cozida, ingestão de oocistos vindos das fezes de gatos e pela via transplacentária. Porém a infecção raramente produz moléstia clínica em seres humanos adultos, a menos que estejam imunocomprometidos.

Prevenção :  O veterinário é questionado com muita frequência acerca da toxoplasmose, quando uma mulher da casa onde vive está grávida ou em antecipação à gravidez.

Visto que a infecção humana pode ocorrer em decorrência da exposição dos oocistos nas fezes do gato, mulheres grávidas não devem limpar suas caixas de areia.
Estas caixas devem ser higienizadas diariamente, para que se impeça que os oocistos se tornem infectantes.
Os gatos não devem receber carne crua, nem lhes será permitido que cacem, quando houver uma gestação, ou que se antecipe uma gestação na casa.
O proprietário deve entender que a infecção humana pode ser contraída pela ingestão de carne crua ou mal cozida, e não apenas a partir das fezes dos gatos. Assim, acariciar o gato e conviver com ele, mantendo o mínimo de cuidados como lavar as mãos após limpar a caixa de areia e não dormir com o animal na cama, são medidas suficientes para evitar a transmissão. Não há relatos de transmissão pela lambedura ou arranhadura do gato, o toxoplasma é eliminado pelas fezes.
Como vemos, não é necessário se desfazer do animal da casa, temendo a doença. Basta tomar os cuidados descritos acima, mas o maior cuidado deve ser com a ingestão de alimentos e água. A doença em mulheres gestante realmente é preocupante, pois a toxoplasmose quando contraída no primeiro trimestre da gestação, pode causar problemas ao feto.



Assim, é muito fácil termos contato com o parasita causador da toxoplasmose através da ingestão de água, frutas e legumes contaminados, alimentos mal cozidos, principalmente carne, ambientes repletos de fezes de pombos, como praças, etc.. Mesmo com a grande exposição à doença, apenas um minoria desenvolve a toxoplasmose.

 A pessoa ou animal contaminado pelo Toxoplasma, à excessão dos gatos, que raramente têm sintomas, apresenta febre, gânglios aumentados, sinais diversos, como órgãos aumentados e sinais neurológicos, como transtorno visual. Mas como explicado, a maioria das pessoas não desenvolve a doença, criando anti-corpos contra ela.
 
Toxoplasmose pode ser tratada, se descoberta a tempo. É preciso desmistificar a culpa do gato na transmissão da doença e olharmos as outras formas de transmissão, muito mais comuns e importantes.

Não é todo o gato que tem a toxoplasmose, muito pelo contrário. Assim, não é preciso olhar desconfiado para o seu bichano. 
 
 







Principais Zoonoses - Leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa, de notificação compulsória, causada pelas bactérias do gênero Leptospira.  É uma das zoonoses mais frequentes, sendo observada principalmente nos meses mais chuvosos, em áreas alagadas ou com problemas de saneamento.



É conhecida também como "doença do xixi do rato", pois o rato é o maior responsável por sua transmissão, mas tanto os animais selvagens quanto os domésticos são reservatório para essa enfermidade.



O rato de esgoto (Rattus novergicus) é o principal responsável pela infecção do cãopor dois motivos principais:
1) em razão do comportamento de caçador do animal
2) por existir ratos em grande número (da proximidade com seres humanos).

 A L. interrogans multiplica-se nos rins dos ratos sem causar danos, e é eliminada pela urina, às vezes por toda a vida do animal. A L. interrogans eliminada junto com a urina de animais sobrevive no solo úmido ou na água, que tenham pH neutro ou alcalino. Não sobrevive em águas com alto teor salino (água tratada).


O espiroqueta da leptospirose é passado na urina de animais infectados e entra no corpo do cão através de uma ferida aberta na pele ou quando ele come ou bebe algo contaminado pela urina infecciosa.

Os primeiros sintomas são: anorexia (falta de apetite), vômitos, febre.
Poucos dias ou horas depois, há gastroenterite hemorrágica, mialgia (dor no corpo), fraqueza, depressão, poliúria (o cão faz muito xixi), polidipsia (bebe muita água), tosse espontânea, respiração difícil, estomatite necrosante (feridas na boca), icterícia (mucosas amarelas), urina com sangue (bem escura), hemorragias subcutâneas.

  

Observe a mucosa amarelada da boca do cão à esquerda. Infelizmente é uma doença de curso rápido. Qualquer alteração acima que voce tenha visto no seu animal, leve-o imediatamente ao veterinário.


O cão à direita apresenta febre, anorexia e depressão.
São sintomas inespecíficos, ou seja, são comuns a várias doenças. Como a leptospirose é uma delas, se seu cão está apático, sem comer, sem brincar, desconfie.




O diagnóstico é feito atraves de exame específico sanguíneo e  pela observação dos sintomas.. O quanto antes descoberta, maior a chance de sucesso no tratamento.

O tratamento requer que o animal fique internado na clínica por diversas razões:

* é foco de transmissão para outros animais da casa e para o homem
* precisa de soroterapia para repor líquido que perdeu com vocmitos e diarreia
* precisa de antibióticos (penicilina e outros), antieméticos e antidiarreicos, que devem seguir padrão rigoroso de dosagem e horário



Os cães com leptospirose devem ser manejados cuidadosamente para evitar infecção. Mesmo que seu cão se recupere, ele ainda pode ser um portador por até um ano. Seu veterinário pode aconselhá-lo sobre como evitar infecção depois que ele estiver bem.

É uma doença que, quando tratada desde o inicio, tem boa porcentagem de cura. Mas se o animal já chegar ao veterinário já com ictericia e/ou urinando sangue, as chances de cura diminuem, podendo, em muitos casos levar à morte.

A prevenção ainda é o melhor remédio.

Para o animal:

Não deixar o alimento pernoitar na vasilha.
Mantê-los acima do nível do solo(Utilizar suportes de fixação nas paredes)
Recolher restos de alimentos e deixar os sacos de lixos lacrados em locais de difícil acesso
Telar entradas externas para dificultar a entrada do roedor.
Vacinar o animal anual ou semestralmente para o resto da vida.

Um esquema de vacinação para o cão. Observe que a cotra leptospirose se encontra na primeira dose, nos dois reforços seguintes e depois uma vez ao ano durante a vida do animal.

Para o homem:
Evitar contato com águas de enchente, ou utilizar proteção como botas de borrachas em locais alagados;
  • Proibir pessoas de nadarem ou lavarem roupas em águas suspeitas de contaminação;
  • Combater roedores, proteger alimentos e água de consumo;
  • Não utilizar água de poço inundado;
  • Prevenção em locais de grupos de risco: operários que atuam em limpeza de esgoto, córregos, e demais áreas sujeitas a contaminação, como lavouras irrigadas (arroz), através do uso de botas e luvas;
  • Lavar e desinfetar a caixa de água, assim como observar a perfeita vedação da mesma.






- GEARY, Michael - Tudo sobre cães. Círculo do Livro, São Paulo -1978.- GYGAS, Théo - 1000 perguntas 1000 respostas, São Paulo - 1975- Informe Epidemiológico do S.U.S., Fundação Nacional de Saúde, 1996, Brasília.- Publicação da Secretaria Nacional de Ações Básicas de Saúde, Divisão Nacional de Zoonoses, 1987, Brasília.

Erlichiose canina

 Erliquiose canina é uma das principais enfermidades infecciosas atendidas na clínica médica de pequenos animais, sendo responsável por uma alta morbidade e mortalidade entre caninos domésticos.

A enfermidade é potencialmente fatal em cães de todas as idades, raças e sexos, possuindo sintomatologia clínica inespecífica, o que torna o diagnóstico bastante complexo e difícil para o clínico veterinário.

Também conhecida como "doença do carrapato", a erlichiose é causada por uma riquetzia chamada Erlichia canis. O vetor da doença é o carrapato Ripicephalus sanguineus, chamado também de carrapato vermelho ou carrapato marrom do cão.



O carrapato infecta ao picar um animal contaminado com a doença e transmite a riquetzia para outro cão ao picá-lo. Há um período de incubação que varia de 8 a 20 dias e depois os sintomas começam a se manifestar.

Fase aguda : os sintomas são brandos: pirexia (febre) inespecífica, anorexia (falta de apetite), corrimento oculonasal e dispnéia (respiração ofegante).

 O agente se multiplica nos órgãos do sistema mononuclear fagocitário (fígado, baço e linfonodos), resultando em :
* hiperplasia (aumento de volume) dessa linhagem celular
* organomegalia- linfadenopatia [crescimento de um ou mais linfonodos (também chamados de gânglios linfáticos)
                             - esplenomegalia [aumento do baço]
                             - hepatomegalia [aumento do fígado]

 Nessa fase também é comum uma trombocitopenia (redução do número de plaquetas no sangue), com ou sem anemia (diminuição dos níveis de hemoglobina na circulação) e leucopenia (redução no número de leucócitos no sangue que são os responsáveis pelas defesas do organismo)



Os cães podem se recuperar em 1 ou 2 semanas sem tratamento e alguns podem ser acometidos pela moléstia crônica 1 a 6 meses depois.

Infecções inaparentes (sem sintomas clínicos visíveis) são comuns.

Fase Sub Clínica : os títulos de anticorpos aumentam e cães imunocompetentes eliminam Erlichia canis. Geralmente ocorre 6 a 9 semanas após a infecção inicial, perdurando por 1 a 4 meses.

Sem sintomas clínicos. Podem apresentar respostas leucocitárias variáveis, trombocitopenia (redução do número de plaquetas no sangue) e anemia arregenerativa (esta ocorre principalmente se estiver associada a Babesiose)

Fase Crônica: ocorre em cães que não conseguem construir efetiva resposta imune.

Sintomas: perda de peso crônica, hipo/anorexia, mucosas pálidas, fraqueza, depressão.

Apresenta hiperplasia da medula óssea que promove pancitopenia [diminuição global de elementos celulares do sangue (glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas)] e aumento da destruição das plaquetas. Com isso, há tendências hemorrágicas nas mucosas, retina, pele do abdome. Epistaxe (hemorragia nasal) também é bastante comum.


A esquerda observamos as mucosas pálidas de um cão com Erlichia associada a Babesiose.
 Abaixo um cão já no estágio final da doença em sua fase crônica. Magro, com sangramento nasal e apático.



OBS: no Pastor Alemão há grave pancitopenia (diminuição global de elementos celulares do sangue - globulos brancos, vermelhos e plaquetas) e hemorragia secundária à trombocitopenia.

O diagnóstico se faz atraves do histórico, observação dos sintomas clínicos, exames laboratoriais (sangue) e testes sorológicos. Atenção: o resultado negativo no exame de sangue não tira a hipótese de o animal estar infectado em seu período de incubação, por isso, para precisão, há necessidade de experiência do médico veterinário com casos diversos.



O tratamento se faz com antibióticos específicos, fluidoterapia, transfusões sanguíneas e corticóides.



A infecção por Ehrlichia não confere imunidade protetora. Se após o tratamento o animal for exposto novamente a carrapatos infectados, desenvolverá a doença.

O melhor combate à doença é a prevenção que se  baseia no controle mensal dos carrapatos e visita de rotina ao médico veterinário..

Há grande importância em realizar testes em todos os cães que já tiveram contato com carrapatos, pois carreadores assintomáticos podem ser fontes de infecção contínua. Vale relatar que cães doadores de sangue devem ser negativos para Ehrlichia canis em dois testes sorológicos consecutivos feitos com intervalos de quatro semanas.








Perguntas e respostas:

Olá!

Domingo é dia do "Perguntas e Respostas" aqui no blog.
Respondo os emails individualmente, mas aqui você encontrará as dúvidas mais frequentes.

1) por que meu gato solta tanto pelo pela casa? ele se coça muito também.é a sarna do gato? pega em gente? posso usar xampu anti pulgas?



Se não há falhas de pelos delimitadas, o gato pode estar em muda (troca de pelo) que acontece duas vezes ao ano.
Se há falhas, há vários diagnósticos:otites, sarnas, micoses, alguns tipos de alergia... Só o veterinário pode diagnosticar e prescrever o tratamento correto. Gatos são muito higiênicos, se voce observar que seu pelo está mais fosco e com aparência suja, converse com o veterinário sobre isso também. Muitas vezes pequenos detalhes observados pelos donos fazem toda a diferença no diagnóstico pelo especialista.

Pode ser a "sarna do gato", sim (leia aqui). O Veterinário fará um raspado de pele e poderá diagnosticar com precisão.

Embora exista um tipo de ácaro para cada espécie (cão, homem, gato...), o ácaro da sarna Sarcóptica pode eventualmente passar para o homem. Normalmente aparecem pontos avermelhados nos locais onde o homem tem mais contato com o gato: face interna dos braços, barriga. Normalmente não precisa de tratamento, mas seu médico pode prescrever uma medicação para a coceira.

É sempre preciso fazer o controle de pulgas e vermes, pois um está ligado ao outro Clique aqui para entender melhor. Como a pulga transmite vermes ao gato, faça sempre o tratamento duplo: recomendo uso do FIPRONIL e vermifugar a cada 6 meses.
Não aconselho uso de xampu anti pulgas enquanto não for feito o diagnóstico preciso pelo veterinário.

2) Com quanto tempo posso desmamar os filhotes da minha gata? Posso usar frintline antes de vender com 1 mes?



Não se deve desmamar um gato tão novo. Minha recomendação é de 40 a 45 dias de idade. Eles já devem estar comendo ração a partir de 30 dias, e a mudança do leite para ração pode ocorrer de forma gradual. Uns dias a mais não farão diferença, certo?

Pode usar Frontline spray em filhotes a partir da primeira semana de vida. Se possível, peça a um veterinário para fazer a primeira aplicação em gatinhos tão novos.


3) Alguma dica para controle de pulgas caseiro? Me ensinaram cânfora com alcool, será que é eficiente?



95% das pulgas vivem no ambiente, e 5% no cão. Então, realmente não adianta combater a pulga só no cão (com produtos tópicos - coleiras, shampoos) se o ambiente também não for tratado.
Na MINHA opinião, o melhor método é o uso do Frontline ou Advantage combinado com Program, o que dispensa a desinfecção do ambiente.  Não esqueça de vermifugá-lo também, visto que a pulga pode transmitir cermes para seu cão. Leia mais aqui.


Bom domingo!

O Melhor Remédio é a Prevenção

Hoje em dia os cães e gatos têm uma vida média mais longa do que há 10, 20 anos atrás. E muito se deve ao avanço da Medicina Veterinária, preocupada com uma alimentação mais saudável e equilibrada, com a fabricação de medicamentos próprios para doenças específicas dos animais e com seu bem estar de um modo geral.



Por outro lado, seus proprietários também querem os animais ao seu lado não só mais tempo, como também que eles tenham melhor qualidade de vida.

Para isso, é preciso uma parceria entre os dois: Veterinário e  Proprietário, para que juntos possam desenvolver um programa de prevenção contra doenças. A prevenção é feita de várias maneiras, mas vamos por partes?

1) Exame anual

A prevenção começa na primeira consulta e um exame a cada ano é essencial. Nele, o veterinário verifica seu estado de saúde, se há necessidade de prescrever algum parasiticida (ecto - pulgas e carrapatos e/ou endo - vermes intestinais), verifica se a dieta está adequada, observa se há sinais de alguma doença infecciosa (corrimento nasal ou ocular, febre, mucosas hipocoradas...), se os olhos estão brilhantes, se o pelo está brilhante, limpo e sem falhas...



Ele aproveita para perguntar ao proprietário se ele observou alguma mudança física ou comportamental no animal depois da última consulta. Como estão as fezes e urina, se ele está mais apático ou alerta, se aumentou ou diminuiu seu apetite, se houve alguma mudança na casa que possa influenciar em seu comportamento. Enfim, tudo que diz respeito ao cão/gato deve ser minuciosamente tratado na consulta anual de um cão adulto.

2) Filhotes

N primeira consulta de filhotes, o clínico fará um exame minucioso: registrará o peso, a temperatura, o estado dos dentes de leite', da pelagem, auscultara seu coracao...Ele orientará quanto ao banho, tosa, corte de unhas, limpeza de ouvidos, prevenção contra pulgas e carrapatos e como fazer a higiene oral.



É importante orientar quanto ao esquema de vermifugação e vacinação, com datas já marcadas, para não haver imprevistos.

A alimentação também é um fator importante: se o cão veio de um canil cuja ração não é confiável, o veterinário orientará a mudança gradativa para uma de melhor qualidade. Se houver necessidade de um complemento alimentar, ele o prescreverá.



Não tenha medo ou vergonha de perguntar nada ao Veterinário. É para isso que vivemos (e somos pagos!)


3) Esterilização:

Um assunto que merece tópico especial. Cães/cadelas e gatos/gatas cujos donos não pretendem cruzá-los, não desejam crias, não têm condições de manter filhotes em casa, ou qualquer que seja o problema, DEVEM castrá-lo.
Ter uma cria não deixa a fêmea mais saudável, muito pelo contrário:castrando-a, você estará protegendo-a contra o câncer de mama. A femea não se sente frustrada por não te filhotes, isso é LENDA.
O macho não precisa cruzar uma vez para ver "como é bom". LENDA também. Esses sentimentos sao humanos e humanizar animais nao deve se tornar um habito. Animais cruzam para procriar. Simples assim.



Bem, a partir desse (cof) consenso entre nós (:D) vamos aos fatos:
Animais que serão castrados precisam fazer exames de sangue e avaliações físicas para saber se estão aptos a fazer a cirurgia. A castração é um procedimento simples e sem grandes complicações.

O pós operatório dependerá mais de você, leitor amigo. É fundamental o uso do colar elisabetano para que a fêmea se lamba/arrebente os pontos, ou o uso de malha pós cirúrgica, além de visitas constantes para que o veterinário avalie a cicatrização dos pontos.



Depois de castrados, alguns animais tendem a aumentar um pouco de apetite, e também sua atividade física diminui bastante. Para evitar que eles fiquem obesos, o veterinário recomendará ração especial e/ou diminuição das porções.

4) Geriatras

Nossos velhinhos precisam de cuidados mais que especiais também. Já nos acompanharam durante muitos anos e agora, mais do que nunca dependem da nossa paciência e carinho.

Um dos fatores mais importantes para aumentar a expectativa de vida do seu animal, e com qualidade de vida, é o controle da alimentação.
Somente o Médico Veterinário pode lhe orientar com relação ao melhor tipo de alimento,  proporcionando ao seu animal:

- manutenção das articulações
- tonicidade cardíaca
- função renal adequada
- aproveitamento de vitaminas e minerais
- manutenção de peso ideal



Com isso, retardamos e até mesmo evitamos patologias na coluna, insuficiência renal, hepática, cardíaca e outras.


Fatores ambientais: - animais de vida livre vivem menos que os confinados, devido a acidentes de trânsito, vizinhos hostis e contato com animais doentes. No entanto, viver menos ou mais deve conduzir à reflexão sobre a qualidade desta vida.

Fatores Nutricionais - obesidade ou magreza excessiva diminuem substancialmente as expectativas de vida de cães e gatos . Animais idosos com problemas específicos em orgãos vitais como o coração, rins ou fígado, têm seu estado geral revigorado com o auxílio de dietas especiais.

Fatores genéticos  - de modo geral, as fêmeas vivem mais que os machos. Os animais castrados superam os dois. Cães de pequeno porte com ou sem confinamento têm vida mais longa.



Cuidados durante a vida - Sem dúvida uma vida regrada é muitas vezes prolongada, cumprindo-se as datas das vacinas, com os devidos cuidados sanitários, controle de parasitas internos e externos, alimentação adequada e em horas regulares, manutenção da saúde dentária, etc.

Hábitos - os bichanos geriátricos também devem ter atividades para manterem a capacidade de urinar e evacuar sem dificuldades. Por outro lado, tanto cães como gatos idosos devem ser desestimulados a pularem demais ou participarem de atividades violentas. Os hábitos alimentares devem ser disciplinados. Caso eles fiquem inapetentes, deve-se procurar auxílio especializado. O mesmo vale se houver muita sede, aumento da diurese, episódios diarreicos frequentes, etc.


Prepare-se para esta fase de seu cão. Se dependesse de nós seriam nossos eternos bebês. Mas temos que encarar a verdade da Vida (nascimento-crescimento-morte) e respeitar e cuidar dos nossoss velhinhos da melhor maneira possível.







Minha experiência:

Meu primeiro cão se chamava Kid. Ganhei quando tinha 7 anos de idade (1978). Foi meu companheiro e de meus irmãos - todos mais novos que eu (devo confessar que abusávamos dele - como ele era pequenino, parecia mais uma boneca do que um cão).

Como éramos crianças, quem cuidava mais eram meus pais. Mas levávamos ao veterinário para tosa-lo (seu pelo era terrível, fino e longo), para tomar antirábica nas campanhas. Ele era invocado, só eu conseguia dar banho nele depois de velhinho, deu um trabalhão enorme. Mas valeu a pena cada minuto.

Por incrível que pareça, ele faleceu no meu último ano de Faculdade (1994), com 16 anos.
Meu melhor amigo.




(mas não parece um ewok?)




(signorelliworld, aprendadetudo,hospitalveterinarioecoville)



Cuidados com Gatinhos Órfãos

Abandono de animais é cruel e desumano. Quem abandona recém nascidos então, deve ter uma alma muito sem luz. Um animal fraco, indefeso, que está com olhos e ouvidos fechados e às vezes com o cordão umbilical pendurado à sua barriguinha... É abominável, a meu ver.




Mas, minha função aqui é ajudar as boas almas que se compadecem da situação dessas criaturinhas.
É uma tarefa difícil, você ficará cansado, as vezes sem dormir (lembre-se, é um bebê!). Mas não é impossível e vale a pena.



Se encontrou gatinhos órfãos com poucos dias de vida, a primeira coisa que deve fazer é tentar mantê-los quentes enquanto tenta contactar um veterinário. Enrole os gatinhos em cobertas e coloque-os dentro de uma caixa. Tenho cuidado para que não sufoquem: é necessário que a caixa não fique fechada e que o ar circule.
Se o tempo estiver frio, pode colocar uma bolsa de água quente por baixo dos cobertores, mas de forma que o calor não queime os gatinhos. Manter a temperatura em 38 graus, como se fosse o corpo da mãe até o 20º dia. Nessa fase eles dormirão quase que o dia todo.




1) Alimentação:

O gatinho deve se alimentar pelo menos de 3 em 3 horas. Alimentá-los é uma tarefa difícil, visto que os bicos de mamadeiras de criança são muito grandes: existem em petshops mamadeiras especilizadas para gatinhos e cães órfãos que podem te ajudar nesta tarefa. Um conta gotas também pode servir.
O leite deve estar morno e não se deve administrá-lo como se fosse um bebê: ele pode fazer falsa via e o leite ir para seus pulmões. Deixe sua cabeça um pouco mais baixa que o corpo e se ele engasgar, levante a parte traseira rapidamente e sacuda o filhote para baixo, para eliminar o leite que possa ter entrado pelas vias respiratórias.





O leite: Existe no mercado uma variedade enorme de tipos de de leite, sendo que o melhor para mim é o Leite em Pó da Royal Canin. Existem, no entanto, outras marcas nacionais como Max Milk e Líder Milk da Total (minha seguda opção) e o Pet milk da Vetnil.

Não ganho nadinha com propaganda, mas as seis marcas comerciais de Substitutos do Leite Materno são produzidos pela Total Alimentos: Max Milk,Max Milk Gatinhos, Líder Milk, Líder Milk Gatinhos, Equilíbrio Milk e Supreme Milk; e quatro tipos de Papinhas de Desmame: Max, Líder, Equilíbrio e Supreme são de exccelente qualidade.

Se voce não encontrar nenhuma dessas no mercado, sugiro uma dessas fórmulas caseiras, usando sempre que possível leite integral com baixo teor de lactose:

Suscedâneo 1
- 1 colher sopa de leite em pó suave;
- 100 ml de água;
- uma colher de café rasa de gema de ovo;
- uma colher rasa de creme de leite;
- meia medida de suplemento vitamínico à base de complexo B e cálcio.



Suscedâneo 2- 1 litro de leite integral
- 1 xícara de leite em pó dissolvido em água de arroz ou arrozina
- 1 colher de mel
- 1 gema de ovo
- 1/2 pacote de gelatina sem sabor
- 1 colher de composto vitamínico (sustagem ou sustacal)
Misturar tudo e bater no liquidificador. Manter na geladeira. Amornar e administrar 4 a 5 vezes ao dia.



Suscedâneo 3- 1 litro de leite integral
- duas gemas
- duas colheres de sopa de creme de leite ou nata
- 1 colher de açúcar
- 1 pitada de sal
Bater as gemas, acrescentar o leite e colocar para ferver. Quando estiver fervendo, colocar os demais ingredientes. Deixe esfriar e dê ao gatinho.


Suscedâneo 4- meio litro de leite integral
- 1 colher de sobremesa de maisena
- 1 colher de sobremesa de creme de arroz
- 1 colher de chá de mel
- 1 gema de ovo
Cozinhar tudo, mexendo sempre, em fogo baixo, para não empelotar. Depois de frio, bater bem e coar ( pois o mingau quando esfria faz aquela nata ). Guardar na geladeira e esquentar para cada vez em que for usar em banho maria.


(fonte gatos dorio)


Na primeira semana, dar 13 ml para cada 100 g de peso por dia, divididos em 5 vezes por dia. Na segunda semana, 17 ml. Na terceira, 20 ml mais alimento sólido (ração de filhotes, amolecida ou úmida). Na quarta semana, aumente a proporção de ração. Com 6 a 8 semanas, desmame.


2) Limpeza:


A gata limpa seus filhotes com muita frequencia, comendo sua urina e fezes.
Sua parte: com um chumaço de algodão e água morna, faça massagens na região perineal do filhote: isto estimula também a evacuação e a micção dos filhotes.




PS: sua parte não inclui comer os resíduos, ok? :p


3) Desparasitação:


Seu Médico Veterinário recomendará um vermífugo para parasitos internos e um spray para parasitos externos. No início da terceira semana, os gatinhos tornam-se mais sociáveis. Comece a interagir com eles, mas não exagere... Após a refeição, trate de sua higiene e, antes de dormirem, acaricie-os e deixe-os andar um pouco, sempre sob sua supervisão. Se for possível "apresente-os" a outros gatos (mansos) para que aprendam a se comportarem como gatos


4) Sociabilização:

No início da terceira semana, os gatinhos tornam-se mais sociáveis. Comece a interagir com eles, mas não exagere... Após a refeição, trate de sua higiene e, antes de dormirem, acaricie-os e deixe-os andar um pouco, sempre sob sua supervisão. Se for possível "apresente-os" a outros gatos (mansos) para que aprendam a se comportarem como gatos

5) Importante:


Proteja os filhotes de correntes de ar
Coloque-os em uma cesta ou caixa onde eles não possam trepar e sair. Use panos quentes e/ou bolsas de água morna para aquece-los.
Treine os gatinhos a fazerem suas necessidades na caixa de areia: quando ele começar acavar o chão, coloque-o na caixa. Basta uma ou duas vezes que eles aprendem.




Os olhos dos gatos abrem-se entre o 7º e o 10º dia (podendo ir até ao 16º dia). Pode haver necessidade de limpá-los e você pode fazer isso com ajuda de algodão e soro fisiológico. Não esfregue, essa área é muito sensível e delicada.


Minha experiência:


Já adotei muitos cães e gatos de rua, alguns consegui donos, outros ficaram comigo. Sei que se você tiver a oportunidade de cuidar desses seres frágeis e dependentes, te acrescentará muito como pessoa.


Minha primeira adotada foi uma cadela, Chaika. Não consigo lembrar-me dela sem que meus olhos se encham d'agua: resgatei-a do Centro de Zoonoses no meu terceiro ano da Faculdade e ficou comigo durante 12 anos.




Meu segundo adotado foi um sao bernardo, cuja mae sofrera uma cesarea e matara os 10 filhotes, sobrando só um. A veterinária que a atendeu sabia que minha cocker tinha acabado de ter filhotes e pediu para servir de ama de leite.

Quando "Adotivinho" saiu da casa dele para ir para a casa de sua mae, era maior que sua mae adotiva. Uma fofura!

                     
                                                 A mae de leite, Julie


                                                    O Adotado S2

Minha última adotada: Tucs Tutu, uma pestinha que está em cima do meu ombro enquanto digito (xingamento carinhoso, pois amo de paixão, converso como se fosse filha - veterinário tem dessas coisas)



olha a cara de séria...quem vê pensa...



Até a próxima!

Gravidez e Parto da cadela



Quando uma cadela está grávida dizemos que ela está prenha. Caso sua cadela não seja castrada e tenha contato com um cachorro não castrado, ela pode ficar prenha e vir a ter filhotes. A gravidez dá trabalho e gera gastos. Se você não quer se preocupar com isso então talvez seja melhor esterilizar.

Se você se sente preparado para acompanhar essa bela fase, então mãos a obra!


# Escolha dos pais:


O início da vida reprodutiva da cadela ocorre mais ou menos aos 7,8 meses de idade, quando ocorre o primeiro cio. Recomendo que se coloque a fêmea para a cruza depois do terceiro cio, quando seu corpo, mais maduro, já tem condições de manter uma gravidez tranquila.


Deve-se levar em conta principalmente para a escolha do macho: sua relação de parentesco com a mãe (entre irmãos, pais com filhos) e a falta de compatibilidade quanto ao tamanho (macho muito grande para fêmeas menores.)

# Antes do parto:

Converse com seu veterinário sobre vermífugos e vacinas, que devem estar em dia.

Importante também saber que a futura gestante precisa de uma alimentação balanceada e de alta qualidade. Isso não quer dizer que você deva administrar vitamínicos, suplementos, ou dar leite e alimentação caseira. Todos esses supérfluos podem causar desequilíbrio nutricional.



Nas primeiras semanas de gestação, dê a ração de costume e vá aumentando gradualmente com a ração que o médico prescrever.
Cadelas obesas devem perder peso antes de gestar. O peso do animal deve se manter durante toda a gravidez, com mínimas alterações.

# Acasalamento:

O perído fértil da cadela corresponde ao décimo primeiro dia depois do primeiro dia de sangramento.
Confuso? Então vamos lá:

Se sua cadela começou a fase do sangramento dia 02/10, os melhores dias de acasalamento serão dias 12, 13 , 14/10. É quando a fêmea aceita a monta, sem maiores complicações.

O ideal é levar a fêmea à casa do macho, uma vez que fora do seu território ela estará menos agressiva , não precisando defender seu território. Em um cruzamento normal, a ejaculação se dá quando os animais ficam de traseira um para o outro.



O diagnóstico de gestação pode ser feito precocemente a partir de 20 dias após o acasalamento através da ultrassonografia ou 30 dias por meio da palpação abdominal


# Gestação e Parto

A gravidez dura cerca de 63 dias desde o dia da ovulação (57 a 63 dias após o coito).

As três primeiras semanas de gestação ocorrem sem contratempos: o peso varia minimamente e deve-se prestar atenção para ver se há perda de peso. Caso haja, procure o Médico Veterinário.

Durante a terceira semana, muitas cadelas perdem o apetite durante uma semana, que volta normalmente na quarta semana. Pode-se fazer uso de ração úmida para estimular o apetite durante esse período, mas não é obrigatório.

Na segunda parte da gestação, as necessidades energéticas e proteicas aumentam, por isso você pode aumentar em 20% a quantidade da ração que ela estava acostumada a comer.. Na fase final da gestação, aumentar em 40% e dar várias vezes por dia já que o útero prenhe ocupa muito espaço no abdome e o estômago da cadela não consegue expandir tanto quanto o normal.

Quando o parto estiver próximo, fica mais visível o aumento do volume da gestante, o desenvolvimento das mamas e seu andar fica diferente: mais lento e cuidadoso. A fêmea também fica mais sonolenta e preguiçosa.



Na última semana do parto deixe tudo preparado:reserve uma área segura, longe das áreas mais movimentadas da casa e sem correntes de ar. Arranje uma caixa onde a cadela possa parir e seja fácil de limpar. Coloque a caixa uma cerca de uma semana antes da data prevista para que a cadela vá se habituando a ela. Traga também uns lençóis velhos e laváveis e separe folhas de jornal.

Os primeiros sinais aparecem nas primeiras 48h antes do parto: o colostro desce e a fêmea procura um ninho. Ela fica inquieta, começa a cavar a caixa e juntar os panos. Mostram desconforto, não conseguem se ajeitar para deitar ou dormir, se lambem e olham insistentemente para a vulva. Começam as contrações. A fêmea pode uivar ou gemer, é normal. Há as silenciosas também.

Ela pode querer caminhar, e isso ajuda no parto. Só tome cuidado para que o filhote nasça no chão e ninguém veja. Evite que a fêmea busque parir em locais de difícil acesso, como debaixo de camas ou dentro de armários.

Após o começo das contrações pode levar até 4 horas até que o primeiro filhote nasça. Se até esse tempo nenhum filhote nascer, chame o Médico Veterinário.



  O intervalo entre um filhote e outro costuma ser de 15 minutos a uma hora. Mais tempo que isso, chame o Veterinário.

Quando o filhote sai, pode ser ou não com a bolsa amniótica. Normalmente a cadela rompe a bolsa e corta o cordão. Se ela não o fizer, esteja preparado e corte com fio dental e tesoura esterilizada. Depois limpe o local com cuidado com iodo e observe se a placenta saiu também. O número de placentas deve ser o mesmo de filhotes. Se alguma placenta ficou retida, leve a fêmea ao veterinário, para evitar infecção.


Fique tranquilo (ao menos demosntre tranquilidade ) e tente deixar a fêmea o mais confortável possível. Algumas não deixam seus "pais" participarem do preocesso, mas a maioria aceita e precisa de um carinho, um agrado. Uma observação: nunca puxe o filhote quando ele estiver saindo, a mãe e/ou o filhote podem se machucar. Deixe que a natureza siga seu curso e deixe à mão o telefone do Veterinário para possíveis dúvidas que forem surgindo.



Você pode ajudar a mãe a cuidar de seus filhotes limpando-os com uma toalha macia e limpa. Esfregue para que saia toda a secreção da bolsa e também para estimular a respiração. Se o filhote não respirar ou chorar, levante-o de cabeça para baixo, para que saiam as secreções nasais e bucais.

No intervalo entre os nascimentos, coloque o filhote para mamar o colostro: além de ser uma ótima "vacina" para ele, também ajuda nas contrações uterinas. Quando o próximo filhote estiver para nascer, coloque o anterior numa caixa com panos limpos e macios.Assim que  a mãe tiver todos os bebês, coloque-os juntos para que possam mamar.






Depois do parto, a cadela fica mais calma, sua respiração volta ao normal. As contrações param.
É o momento de você tentar limpar a cadela e o chão/caixa  com um pano úmido e água (nada de desinfetantes).
De imediato, água fresca Pode também oferecer  ração úmida (a mesma que ela estava comendo antes) diluída em um pouco de água morna.
Muito importante: manter água fresca e limpa sempre a vontade, para ajudar na produção de leite.

Observe se todos os filhotes estão mamando e se ela os está aceitando bem. Mamães de primeira viagem podem sentir-se  mais confusas durante o parto e pós parto e você precisará ter firmeza, paciência e dar muito carinho e amor nessa fase.

Nas próximas semanas , ela  pode continuar com a mesma quantidade de ração que estava comendo na última semana, pois o gasto com a amamentação será grande.






E parabéns! Você acaba de ser tornar vovó (ou vovô") :D







(fotos:dalmatasbr)


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